Encontro 1 | Uma introdução à lógica contemporânea
Nesta aula, apresentaremos brevemente alguns dos conceitos centrais indispensáveis para compreender o pensamento de Han em qualquer uma de suas fases, e como eles se articulam para possibilitar uma crítica daquilo que Han chama de “existência econômica”, ou seja, a existência inteiramente voltada para si própria e fechada para o outro.
Primeira Parte: A crítica do negativo: A Filosofia do Zen Budismo
Na primeira parte do curso será apresentado o primeiro paradigma de crítica da existência econômica por parte de Han, a saber: o paradigma positivo, segundo o qual haveria um excesso de negatividade do Eu que nos fecha para o outro. Para Han, apenas uma afirmação e uma abertura ao mundo possibilitaria ao sujeito superar a condição da existência econômica e alcançar a condição existencial verdadeiramente humana da afabilidade.
Encontro 2 | Sem Substância: Religião Sem Deus e Vazio
A aula apresenta como Han pretende mostrar que, contrariamente à leitura que Hegel faz do budismo como algo não filosófico, o zen budismo representaria uma alteridade filosófica radical em relação ao “Ocidente”. Ao propor a recusa radical de toda existência autocentrada, de toda substância, a favor de um descentramento e de uma imanência radical da existência, o zen budismo é ainda mais radical do que aquela que se poderia ver em figuras importantes da filosofia ocidental, como Meister Eckhardt e Heidegger, com quem o encontro dialoga.
Encontro 3 | Sem Sujeito: Habitar Lugar Nenhum e Morte
Este encontro apresenta como a existência autocentrada leva o zen budismo a uma concepção de sujeito inteiramente descentrado, que, diferentemente dos principais pensamentos do Ocidente, não volta sua vida para a preservação de si mesmo – pois não tem nada seu, não tem uma “casa” e, por isso, não habita lugar nenhum. Isso implica também, por sua vez, uma relação inteiramente diferente desse sujeito com a morte, pois, em vez de ter de recorrer a estratégias para afirmar a vida, tal sujeito apenas aceita a sua impermanência e, por isso, não trata sua morte como catástrofe a ser evitada a todo custo.
Encontro 4 | Com o Outro: Afabilidade
Este encontro trata de como o sujeito descentrado zen budista se encontra em uma condição de abertura afável ao outro. Quem é esse outro? Esta é uma abertura que, por não ter como centro nem Deus, nem o ser humano, é capaz de acolher todas as coisas tais como elas são. Essa condição de pura afirmação do mundo e da existência com o outro estaria além de propostas como de Aristóteles ou Schopenhauer, pois seria desprovida inteiramente de um centro, de uma existência em torno da qual as outros girariam e, por isso, poderia acolher igualmente em si mesmo todas as coisas.
Segunda Parte: A crítica do positivo: A Sociedade do Cansaço
Nesta parte do curso será apresentado o paradigma positivo. Han traz nesse paradigma a crítica de um excesso de positividade como sendo característico de nossa existência econômica contemporânea. Mais do que isso, a necessidade de uma recuperação da negatividade como condição para preservar o outro em sua alteridade.
Encontro 5 | Sem Substância: A Violência Neuronal e Além da Sociedade Disciplinar
Este encontro faz uma introdução a quais seriam algumas das principais razões da crítica de uma sociedade “sem substância”. Muito antes de levar a uma abertura ao outro, a sociedade atual se transforma em um “inferno do igual”, em que tudo é assimilado e visto como uma maneira de potencializar a minha própria existência. Desse modo, existimos e nos afirmamos por meio de nossa produtividade. Para Han, é essa ausência de limites que levaria ao imperativo de desempenho de nossa sociedade atual – a afirmação do “poder” em vez do “dever”, que evidencia a mudança de uma sociedade disciplinar (negativa) para uma sociedade do desempenho (positiva).
Encontro 6 | Sem Sujeito: O Tédio Profundo, a Vida Activa e a Pedagogia do Ver
Este encontro mostra, por meio de um diálogo com os pensamentos de Walter Benjamin e Hannah Arendt, a importância de não se basear a existência ao exercício de uma atividade. As dinâmicas atuais de hiperatividade e hiperatenção nos impedem de questionar o existente e produzir o novo – questões que demandam ócio, tédio e contemplação, e que não se submetem imediatamente à demanda de um efeito “prático”. Por isso, Han ressaltará a importância de recuperar a liberdade de não ter de ser direcionado a nenhuma finalidade ou objeto.
Encontro 7 | Sem o Outro: O Caso Bartleby e a Sociedade do Cansaço
Em diálogo com o pensamento de Giorgio Agamben e a obra Bartleby, o Escrivão, do inglês Herman Melville, esta aula apresenta o pensamento de Han sobre a impotência atual diante das demandas de um novo modelo de sociedade – a sociedade do desempenho. No entanto, o cansaço provocado por essa sociedade não leva à exaustão e ao fechamento para o outro, mas sim à abertura e a uma relação afável com ele. Assim, você aprenderá nesta aula como a afabilidade é pensada por Han como algo que preserva o outro em sua alteridade e, precisamente por isso, torna possível uma relação mais harmônica com os outros.
Encontro 8 | Conclusão: A Afabilidade Para Além do Positivo e do Negativo
Este encontro amarra os conceitos trabalhados ao longo do curso e traz uma série de questões sobre os desdobramentos das ideias apresentadas. Sobretudo, a partir das oposições apresentadas por Han, como superá-las e transformar de fato a forma como nos relacionamos com nós mesmos, o mundo e os outros? Para além de questionamentos de conceitos e métodos, a última aula oferece recursos para que o curso sirva não apenas para a apresentação do pensamento do autor, mas também para estimular a reflexão crítica a seu respeito e sobre o mundo de hoje.